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Ao trazer o slam para a sala de aula, muito mais do que os saberes formais, é possível estimular os adolescentes e jovens a tornarem-se porta-vozes de si mesmos e dos seus. Os Slams são ambientes de livre circulação e participação, os participantes tornam-se poetas, ouvintes, jurados: todos os participantes do evento, mesmo quem não performa, são importantes para que o evento ocorra.
Estamos disponibilizando no link ideias para facilitar a organização do slam em sua escola. Leia, pesquise e planeje.
O Slam Interescolar:
Para além dos espaços urbanos ocupados pelo Slam, no Brasil, por intermédio do poeta Emerson Alcalde e dos organizadores do Slam da Guilhermina, o Slam passou a ser pensado e organizado como um espaço livre, educativo e democrático de fala e escuta dos estudantes paulistas.
Essa relação entre a liberdade criativa da poesia marginal proposta no Slam e o espaço escolar, começou com o Slam Interescolar de São Paulo e ganhou e se espalhou pelo Brasil se tornando um projeto nacional., um circuito de batalha de poesia que ocorre em rede nas escolas públicas de todo o país. Atualmente, além das batalhas estaduais, o Brasil organiza o Slam Interescolar Nacional, reunindo jovens e adolescentes de vários estados.
Finalização
Quando se dá a liberdade para o sujeito escrever seus versos, ele acaba versando suas experiências, suas vivências. Vivências que podem não ter sido experimentadas por aquele que fala, mas foi ouvida, sentida ou presenciada. A prática do Poetry Slam promove em versos a expressão de uma identidade cultural historicamente marginalizada ou negligenciada pelo sistema escolar.
Essa prática de escrita livre, nos remete a experiência da professora e escritora Conceição Evaristo, no termo que ela criou para explicar sua experiência literária, são as “escrevivências”.
Conceição (2020) explica que escreviver é uma discussão identitária de pessoas que vivem de alguma maneira a experiência da exclusão seja por sua cor, orientação sexual, identidade de gênero ou condição socioeconômica. Escrever para entender a vida em sua profundidade, pois conforme a autora “Escrevivência nunca foi uma mera ação contemplativa, mas um profundo incômodo com o estado das coisas” (EVARISTO, 2020, p. 34).
As produções poéticas do Slam são pautadas pelo princípio das escrevivências. Nas ruas, teatros e nas escolas, a poesia do Slam reflete uma identidade cultural. Oportuniza e da habilidade para que se transforme a arte como uma expressão de denúncia, um grito, uma ferramenta de tensionamento ao discurso hegemônico do processo educacional. Possibilita uma produção centrada em suas próprias experiências.
A escrevivência pode parecer à escrita da experiência de uma pessoa ficcionando sua realidade, no entanto ela é “uma escrita que não se esgota em si, mas, aprofunda, amplia, abarca a história de uma coletividade” (p. 35) e assim o povo marginalizado mantém viva a habilidade de contar e reproduzir histórias que dizem de nossa cultura, nossas experiências, tradições e potencialidades.



