
Quando se dá a liberdade para o sujeito escrever seus versos, ele acaba versando suas experiências, suas vivências. Vivências que podem não ter sido experimentadas por aquele que fala, mas foi ouvida, sentida ou presenciada. A prática do Poetry Slam promove em versos a expressão de uma identidade cultural historicamente marginalizada ou negligenciada pelo sistema escolar.
Essa prática de escrita livre, nos remete a experiência da professora e escritora Conceição Evaristo, no termo que ela criou para explicar sua experiência literária, são as “escrevivências”.
Conceição (2020) explica que escreviver é uma discussão identitária de pessoas que vivem de alguma maneira a experiência da exclusão seja por sua cor, orientação sexual, identidade de gênero ou condição socioeconômica. Escrever para entender a vida em sua profundidade, pois conforme a autora “Escrevivência nunca foi uma mera ação contemplativa, mas um profundo incômodo com o estado das coisas” (EVARISTO, 2020, p. 34).
As produções poéticas do Slam são pautadas pelo princípio das escrevivências. Nas ruas, teatros e nas escolas, a poesia do Slam reflete uma identidade cultural. Oportuniza e da habilidade para que se transforme a arte como uma expressão de denúncia, um grito, uma ferramenta de tensionamento ao discurso hegemônico do processo educacional. Possibilita uma produção centrada em suas próprias experiências.
A escrevivência pode parecer à escrita da experiência de uma pessoa ficcionando sua realidade, no entanto ela é “uma escrita que não se esgota em si, mas, aprofunda, amplia, abarca a história de uma coletividade” (p. 35) e assim o povo marginalizado mantém viva a habilidade de contar e reproduzir histórias que dizem de nossa cultura, nossas experiências, tradições e potencialidades.
