Performance Teatral

Oficina 2 – Tema: Oficina para performance e apresentação – Superando a insegurança, hora de dar a letra e dominar o MIC.

“Leitura (…) processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.”

(Freire, Paulo)
ModalidadeComponentes CurricularesAtividades
Séries Finas do Ensino Fundamental IITodas as disciplinas1. Estrutura da Performance.
2. Exercícios para melhorar a performance.
3. Dicas para treinar sua apresentação em público.

Tempo: 2 hs/aula

Obras/Textos

Teatro do Oprimido: Partindo do princípio de que a linguagem teatral é a linguagem humana utilizada pelos indivíduos, no seu quotidiano, todos podem desenvolvê-la e fazer teatro, ampliando as suas possibilidades de expressão. Ao recuperar os meios de produção teatral para as pessoas e o acesso às camadas sociais menos favorecidas, torna-se possível um outro modo de analisar a exploração de situações de opressão, dando-se valor à capacidade criadora e criativa das pessoas.

O teatro do oprimido funciona como um veículo para a organização e para o debate dos problemas, empoderando os sujeitos/atores sociais na defesa dos seus direitos e incentivando a sua participação cívica. 

No Teatro do Oprimido, os grupos podem em conjunto construir o seu “sonho possível”, para utilizar uma expressão de Paulo Freire. Esse sonho possível, ou realidade desejada, não se refere a uma idealização ingénua, mas emerge justamente da reflexão crítica acerca das condições sociais. Conhecer essas condições faz com que elas não sejam encaradas de forma determinista, mas com que a realidade seja entendida como mutável através da participação dos sujeitos que a constituem. A História, enquanto processo social, e as estórias vividas pelas pessoas são sempre encaradas como possibilidade, não como um fatalismo da realidade. Para se sonhar coletivamente e esse sonho ter um alcance de movimento transformador, é preciso que se ensaiem as formas de ação.

Objetivos de Ensino

  • A proposta é utilizar exercícios do Teatro, em especial o Teatro do Oprimido de Augusto Boal, como instrumento para trabalhar a inibição e descontrair os estudantes.
  • Realizar jogos e exercícios de ativação sensorial e desmecanização do corpo.
  • Apropriação da linguagem e das palavras, como meios da comunicação e de expressão da criatividade e de suas vivências.
  • Refletir sobre seu protagonismo e potencializar o desenvolvimento de ações protagonistas.
  • Promover o autoconhecimento, desenvolvimento de expressão e comunicação. Garantir maior interação entre alunos e a promoção do aperfeiçoamento corporal.
  • Aperfeiçoar a resolução de conflitos e a tomada de decisões, a medida que possibilita o aprender a falar e ouvir com mais assertividade.
  • Ampliar os processos de criação, o trabalho coletivo e colaborativo e, em especial, a experimentação.
  • Possibilitar o desenvolvimento do posicionamento crítico refletido nas produções dos estudantes: comunicar-se por meio de gestualidades e vocalidades, expressando ideias complexas de maneira crítica e reflexiva.

Procedimentos Didáticos para desenvolver as atividades

Material:

  • Caixa de som para apresentação do áudio documentário e microfone para iniciar o contato dos alunos com a prática da oralidade.
  • Espelho para treinamento da performance.
  • Papel, lápis, borracha e caneta, para os estudantes iniciarem a escrita livre criativa.

Atividade 1. Estrutura da Performance

Obs: Apresentar o áudio documentário (podcast), que trabalha com a proposta motivacional de dicas para iniciar a escrita

  • Declamar um poema, como ponto de interação e para despertar a atenção da turma.
  • Apresentar a proposta de inserir exercícios do teatro, como ferramenta para superar a inibição e melhorar a performance da apresentação do poema.
  • Estamos na era do compartilhamento, uma era em que o valor está em distribuir, em coparticipar, em tornar público o que se pensa, o que se faz, o que se lê, o que se vê e até o que se come ou o lugar onde se está. Hoje temos a opção e a oportunidade de produzir conteúdo e de compartilhar sobretudo, ao mesmo tempo que temos a liberdade de escolher o que consumir e valorizar o que nos é relevante.
  • Compartilhar é aprender com o outro. Isso aprimora a habilidade de “aprender a aprender” e aprender por toda a vida. Esse talvez seja um dos maiores poderes que a gente pode atribuir à literatura: o de nos tornar mais abertos e sensíveis a outros modos de percepção e de pensamento. Isso se faz fundamental, especialmente em momentos como o atual, de sectarismo e intolerância em relação a outros modos de vida.
  • Sentir-se ouvido, compreendido, saber que não está sozinho e que há outras pessoas que passaram ou passam pela mesma experiência. Por que não compartilhar suas ideias em um poema de 3 minutos? Ganha você, ganha o público, mas principalmente, ganha a poesia. Bora começar!

Orientação para iniciar a atividade:

  • Como funciona a performance do duelo:
    • Autorrepresentação e depoimento: são estruturas da narrativa e performance do slammer, que faz um testemunho sobre sua realidade e experiência defendendo um ponto de vista (depoimento), ao mesmo tempo que tem noção de seu papel social e político, assim como o exercício de representar suas próprias histórias e da sociedade que vive (autorrepresentação).
    • Poesia autoral: é preciso dar vida a suas narrativas por meio da performance, representar seu próprio texto com o corpo (autorrepresentação). 
    • Sem acompanhamento musical, figurino, cenário, etc: apenas com a gestualidade do corpo que os poetas devem trazer os efeitos que esses elementos trariam, isso afeta tanto a construção do texto, quanto a performance.

Exercício do teatro para trabalhar a inibição:

“O batizado mineiro”: Estudantes em círculo; cada um, em sequência, dá dois passos à frente, diz seu nome, diz uma palavra que comece com a primeira letra do seu nome e que corresponda a uma característica que possui ou crê possuir, fazendo um movimento rítmico que corresponda a essa palavra. Os demais atores repetem duas vezes: nome, palavra e movimento. Quando já tiverem passado todos, o primeiro volta, mas agora numa posição neutra, e são os demais que devem se lembrar da palavra, nome e gesto.

Jogo do arsenal do Teatro do Oprimido (BOAL, 1998)

Atividade 2. Exercícios para aprimorar a performance. (Pensando na apresentação)

Orientação para iniciar a atividade:

  • Obs: Antes de iniciar a atividade da oficina, tente motivar os estudantes lendo ou declamando poesias. Agora se apegar a poesia marginal. Sugestão: Letras de Rapper ou poemas de poetas slammers.
  • Obs: Trabalhar com um espelho e pedir que os exercícios e demais atividades sejam feitos de frente a um espelho e com os colegas na lateral da apresentação. Dessa forma que, o adolescente, ou o jovem, veja apenas o seu reflexo no espelho.
  1. Careta: na frente de um espelho, faça caretas mexendo a língua dentro da boca. Isso ajuda a “aquecer” a musculatura do rosto, ajudando também na dicção das palavras. 
  2. AEIOU: dizer as vogais uma por uma com a boca bem aberta, a distância de pelo menos dois dedos entre os dentes superiores e inferiores
  3. Sifuxipa: esse exercício é para treinar a respiração, que ajuda muito na hora de declamar a poesia, pois é um processo importante para construir nossos ritmos, momentos de pausa, de acelerar ou diminuir a fala, assim como no canto e no teatro também.
    • Inspire pelo nariz, enchendo a barriga de ar (aqui trabalhamos a respiração com o diafragma). Prenda o ar um pouco, coloque as duas mãos na barriga e vamos soltar o ar pela boca dizendo sifuxipa.
  4. Leia um texto sentado e em pé, e permita-se cometer erros e explore todas as maneiras para não fazer igual sempre, ficando cada vez mais confortável com as falas.
  5. Leia um verso/frase de vários modos.
    • Exemplos de modos de leitura: com suspense, com raiva, com tristeza, nervosamente, alegremente, como um locutor de tv, como em uma propaganda, como uma canção de rock, com voz lírica, com muita suavidade, muito alto, depressa, devagar.
    • Peça aos alunos para se apresentarem individualmente para a turma, utilizando diferentes modos de leitura.

Obs: A organização dos exercícios fica a critério do coordenador da oficina, respeitando a própria dinâmica do grupo.

Atividade 3. Dicas para a performance:

  • Apresentar o áudio documentário (podcast), que trabalha com a proposta motivacional de dicas para a performance.

Orientação para iniciar a atividade:

  • Obs: Permita aos alunos se manterem atentos e motivados, lendo ou declamando poesias a cada etapa.
  • Obs: Para fechamento dessa oficina, importante inserir mais uma atividade no grupo, para trabalhar a inibição.
  1. Dinâmica para movimentação do grupo
  2. Sugestão de exercício: (“Rótulos” ou “Detetive, vítimas e assassino”)
  • Rótulos: Esta atividade que desenvolve a Interação social, raciocínio e atenção.
    • Como brincar: Escreva em pedaços de papéis “rótulos” diversos. O grupo pode definir uma temática, como, por exemplo, sentimentos: Alegria, tristeza, raiva, medo, etc. Cada participante deve pegar seu rótulo, grudar na testa, sem olhá-lo, e começar a circular entre os demais participantes. Cada jogador deverá interagir com o outro fazendo mímicas, caras e bocas que deem pistas sobre seu rótulo. Ganha o jogo quem descobrir primeiro o seu próprio.
  • Detetive: Esta atividade desenvolve a atenção, concentração, coordenação visual e espacial.
    • Como brincar: Em pequenos pedaços de papéis, escreva os nomes dos personagens do jogo: Detetive (1), assassino (1) e vítima, o número de vítimas dependerá sempre a quantidade de participantes. Dobre-os e sorteie-os entre os jogadores.
    • Todos devem formar um círculo, para que cada participante veja todos os outros jogadores. O assassino deve “matar” as vítimas por meio de uma piscada de olho. A vítima, por sua vez, deve dizer “morri!”. O detetive deve estar “ligado” o tempo todo e assim que descobrir que é o assassino deve dizer “preso em nome da lei!”. O jogo termina quando o assassino “mata” todas as vítimas ou quando o detetive o prende.
  1. Após a execução da dinâmica é hora de treinar as performances.
  • Aprenda a lidar com o medo do palco: é normal ficar nervoso antes da sua performance, mas quanto mais você prática, recitar em público, mais se acostuma e fica mais confiante. 
  • Mantenha uma boa postura: ficar com as costas eretas ajuda a falar alto e claramente, além de ajudar a parecer mais confiante.
  • Faça contato visual com o público: olhe diretamente para os olhos das pessoas na plateia, mova-se entre eles, isso ajuda a capturar a atenção e deixa a interpretação mais natural,
  • Projete sua voz para toda a plateia: mantenha o queixo levemente elevado, os ombros para trás e as costas eretas, fale respirando pelo diafragma, isso ajuda a fazer a voz soar mais alto, sem gritar.
  • A expressão corporal, a voz e a performance contam muito no contexto da poesia falada. É importante recitar seu poema interpretando com o corpo. Quanto mais recitamos uma poesia mais apropriamos dela, para além do texto escrito, damos vida as palavras.
  • Faça a leitura do seu poema e ponha cor em sua palavra: ao repetir algumas palavras, tente dar vida, “colorindo-a”, com o máximo de expressão possível. Palavras de exemplo: frio, devagar, bravo, feliz, nervoso, rindo, gritando, suave, fino, crocante, medo, chorando, alto.
  • Anote em suas poesias como você quer transmitir aquele texto: Pense nas sensações que você quer transmitir com aquelas palavras. Se é um texto que fala de algo profundo sobre você, por exemplo, tente experimentar dizer de várias formas.
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